As coisas estão mais claras agora, apesar da tontura que ainda gira em volta de mim, e da falta de ar volta entre os cigarros. A fumaça se dissipa aos poucos, mas não deixo, logo respiro e ponho palavras para fora. mentalmente, pois não se deve gritar a uma hora dessas.
Ela samba entre mim e a janela, pensando em pular ou abraçar-me. Eu não sei se deixo - tanto um quanto outro.
Torço para que ela decida sozinha, mas eu sei que não vai.
E sei que se ela pular, parte de mim - talvez uma aorta, talvez uma veia entupida - vai junto. Mas sei que se ela me abraçar, outra parte de mim acabará fugindo - e esta parte é difícil de resgatar, pois para fugir ela se reduzirá, e se um dia voltar, voltará maior...
Os olhos disseram coisas que as palavras não conseguem. Os quatro sabem verbalizar muito melhor do que as palavras desorganizadas que se embaralham à minha frente, todas falando ao mesmo tempo, com a mesma clareza e incomodo que gera uma mesa com 18 mulheres inseguras falando de outras mulheres e dos homens da mesa ao lado.
O problema é que promessas são palavras, e palavras...nada mais são do que palavras
(Fevereiro/2010)
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